Perguntei a Ivonne Mora porque gosta de Portugal e dos Portugueses

Desta vez o “Passei e Gostei!” foi até à Colombia, uma república constitucional do noroeste da América do Sul.
Ivonne Rocío Mora Ramírez tem 33 anos, é colombiana e vive em Coimbra. É designer industrial de formação, professora de línguas, apaixonada por pessoas e por manualidades.
Adora estudar, aprender, ensinar, falar, viajar, conhecer pessoas, fazer amizades verdadeiras.
A sua sensibilidade tocou-me e, por isso, quis contar a sua história e porque escolheu Portugal e os portugueses para viver.

Ivonne adora a sua família e os seus amigos, com quem comunica via Skype, mas embora tenha saudades, por aqui encontrou muitas coisas boas. Para além do nosso vinho verde e o bacalhau, que tanto aprecia, a sua relação com Portugal tornou-se tão profunda que acabou por escolher o país como casa.

Sobre a sua decisão de vir viver para Portugal

IM: Em 2015, vim de férias para visitar uma amiga de escola que mora cá. Na altura surgiu em conversa a minha vontade de viajar, aprender francês ou assim, e ela disse: “Se quiseres vir para Portugal e aprender português podes ficar connosco à vontade”. E pronto… 4 meses depois, após arrumar todos os meus assuntos na Colombia deixei tudo e vim embora. Não deixei nada. Vendi a minha casa, a minha cama, ofereci roupas, sapatos… Vim com três malas gigantes sem pensar se podia ter que voltar um ano depois ou assim. Mas pronto, o destino sabia exatamente porque as coisas eram assim.
Três meses depois, feliz de estar perto da minha amiga e a sua família, de estar a estudar português, em Coimbra conheci o meu amor. O melhor português de todos e o melhor de tudo em Portugal. Sem dúvida! Casámos quatro meses depois e, o resto, só me faz pensar que tudo tem sentido. Os impulsos, as decisões e até as dúvidas que tive na altura e decidi ignorar.
Vir para cá tem sido a melhor decisão da minha vida. Esta experiência, nem sempre cor de rosa, faz-me imensamente feliz. Até quando estou em baixo sou feliz. Não me arrependo de nada. Óbvio que gostava de poder mudar algumas coisas mas faz parte.

Sobre a opção de ter um negócio em Portugal
IM: Quando cheguei vi logo que era difícil arranjar trabalho e os salários também não davam. Então decidi dar aulas por Skype a pessoas da Colombia e comprar uma máquina de costurar para concretizar um dos meus sonhos, aprender a costurar e ter um atelier de presentes únicos.
Foi aí que nasceu a Poramora.
Faço presentes por encomenda, adoro trabalhar com feltro e pele e utilizar diferentes técnicas.


O que mais gosta em Portugal
IM: Há imensas coisas que gosto de Portugal, a começar pelas calçadas. Nunca deixo de maravilhar-me com a singularidade de cada uma delas.
Gosto muito das semelhanças da cultura portuguesa e a colombiana em termos da comida e a proximidade com a família. Gosto da forma de ser dos portugueses, gosto das paisagens, a calma e a tranquilidade com que se vive em Coimbra.

O que gosta nos Portugueses 
IM: Gosto da forma de ser dos portugueses. Acho que são sérios mas muito simpáticos, acho que são sinceros, gostam de se preparar, estudar, aprender. Acho que, em geral, têm bom gosto e um conceito de beleza natural muito agradável.
Em Portugal encontrei o que queria para a minha vida, uma cidade tranquila, bonita, segura.
Encontrei o amor. Encontrei motivação para explorar áreas de trabalho novas.
Nem sempre a vida tem sido fácil mas, sem dúvida, está a ser a melhor experiência da minha vida. Descobri coisas novas em mim. A experiência de estar longe de casa fez-me valorizar as pessoas, e mais, fez-me mudar muitas coisas que não gostava em mim. Fortaleceu-me em vários aspectos. Portugal está a fazer-me uma pessoa mais consciente e mais feliz a cada dia.
Portugal está a dar-me só coisas boas ou está a tornar-me numa pessoa que pode ver coisas boas em quase todo.

As palavras de Ivonne Mora tocaram-me profundamente. A forma como Portugal tem impacto na sua vida e, mais do que isso, na sua identidade é única e a maneira como o exterioriza também.
“Passei e Gostei!” e desejo que Portugal continue a fazê-la feliz, por muitos anos. E que a Ivonne continue a partilhar a sua sensibilidade connosco sempre.

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