A noite em que mais aprendi sobre a vida

São 6h37m e ainda não consegui adormecer. Tenho que escrever. Talvez assim consiga processar melhor a experiência que tive esta noite. Esta foi a noite em que mais aprendi sobre a vida.
Há umas semanas recebi um convite. Fui convidada para uma festa de aniversário de um amigo. Mas o meu amigo não celebra de uma forma qualquer. Opta por passar esta data junto de 300 pessoas em situação de grande fragilidade social.
Há vários anos que opta por cantar os parabéns junto de quem mais necessita de tudo, começando por uma refeição e depois afeto, uma palavra amiga.
Uma tarefa desafiante para uma só pessoa mas, ao convidar todos os seus amigos, é-lhe possível proporcionar uma noite muito especial a todos nós.
Confesso que nunca tinha vivido uma experiência semelhante. Não fazia ideia como é que eu própria iria reagir. Não sabia se ia rir, chorar, ficar triste ou alegre, abraçar ou fugir.
Estava nervosa, muito nervosa. Queria dar o melhor de mim sem saber bem como. Pelo meu amigo mas, principalmente, por todas aquelas 300 pessoas que jamais esquecerei.
Sou péssima a fixar nomes mas jamais esquecerei os nomes das pessoas que estavam na mesa onde me sentei.
Fiz questão de levar o meu filho de seis anos. E ainda bem que o fiz. Aquele abraço entre o João e o meu filho… nunca esquecerei. Aquele sorriso que proporcionou ao Luis e à Ilda, nunca esquecerei.
Estou tão grata ao meu pequenino pois foi ele que me acalmou. Foi ele que, sem palavras, me ensinou o que é que eu podia oferecer aquelas pessoas.

Esta noite aprendi com 300 maravilhosas pessoas que o que nos atira para situações de grande vulnerabilidade e miséria, a vários níveis, é perdermos entes queridos. É perdermos afetos, é perdermos relações familiares e de amizade.
É ficarmos tristes e não termos ninguém que nos ajude a voltar a sorrir. É quando estamos tristes e a única ajuda que recebemos é dizerem-nos que estamos doentes, enfiarem-nos um monte de comprimidos pela garganta abaixo e fazerem-nos acreditar que a nossa tristeza nos fez ficar loucos e, por isso, já não temos valor para a sociedade.
E nestas linhas resumo a maior lição que aprendi esta noite e a maior que a vida me deu até hoje.

A todos os que acompanham o “Passei e Gostei!” só quero deixar esta frase: Amor. Amor. O mundo só precisa de amor para ninguém ter que passar fome ou viver na rua.
E é tão fácil dar esse amor. Convido-vos a conhecerem a organização SERVE THE CITY, que participa na construção de pontes entre pessoas, instituições e territórios, através de ações de voluntariado, de forma a tornar a Cidade mais justa, fraterna e solidária.
Se quiser pode integrar o grupo de voluntários que levam o espírito do serviço à Cidade, do encontro e da mudança.
SERVE THE CITY vai ao encontro de pessoas socialmente fragilizadas, atuando nas temáticas da exclusão, da pessoa sem-abrigo, da pessoa idosa isolada, das crianças e jovens em situações de maior vulnerabilidade, da pessoa imigrante ou refugiada, entre outras situações.
Esta noite percebi que, o simples facto de termos uma única pessoa que nos ame verdadeiramente e nunca nos abandone, pode mudar toda a nossa vida.
O “Passei e Gostei!” deixa aqui uma recomendação, do fundo do coração: pelo menos, uma vez na vida, participe num dos jantares da SERVE THE CITY.
Será, certamente, uma das noites mais ricas que viverá e a mais importante experiência e lição de vida que poderá passar aos seus filhos.
Ao meu amigo, o meu profundo agradecimento. A festa de aniversário foi sua mas o presente fui eu que o recebi e jamais o esquecerei. Obrigada.

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